O que causa câncer?

As causas de câncer são variadas, podendo ser externas ou internas ao organismo.

As causas externas relacionam-se ao meio ambiente e aos hábitos ou costumes próprios de um ambiente social e cultural. As causas internas são, na maioria das vezes, geneticamente pré-determinadas e estão ligadas à capacidade do organismo de se defender das agressões externas. Esses fatores causais podem interagir de várias formas, aumentando a probabilidade de transformações malignas nas células normais.

De todos os casos, 80% a 90% dos cânceres estão associados a fatores ambientais. Alguns deles são bem conhecidos: o cigarro pode causar câncer de pulmão, a exposição excessiva ao sol pode causar câncer de pele e alguns vírus podem causar leucemia. Outros estão em estudo, como alguns componentes dos alimentos que ingerimos, e muitos são ainda completamente desconhecidos.

O envelhecimento traz mudanças nas células que aumentam a sua suscetibilidade à transformação maligna. Isso, somado ao fato de as células das pessoas idosas terem sido expostas por mais tempo aos diferentes fatores de risco para câncer, explica em parte o porquê de o câncer ser mais frequente nesses indivíduos.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o tabagismo é a principal causa de morte evitável em todo o mundo, sendo responsável por 63% dos óbitos relacionados às doenças crônicas não transmissíveis.

Dessas, o tabagismo é responsável por 85% das mortes por doença pulmonar crônica (bronquite e enfisema), 30% por diversos tipos de câncer (pulmão, boca, laringe, faringe, esôfago, pâncreas, rim, bexiga, colo de útero, estômago e fígado), 25% por doença coronariana (angina e infarto) e 25% por doenças cerebrovasculares (acidente vascular cerebral).

O consumo de tabaco e seus derivados mata milhões de indivíduos a cada ano. Se a tendência atual continuar, em 2030 o tabaco matará cerca de 8 milhões de pessoas por ano, sendo que 80% dessas mortes ocorrerão nos países da baixa e média renda.

O consumo de tabaco, especialmente inalado, é um dos principais fatores de risco conhecidos para o desenvolvimento do câncer e responde pela grande maioria dos casos de câncer de pulmão, cabeça e pescoço, esôfago e bexiga, dentre outros.

O risco de desenvolver essas doenças aumenta conforme cresce o número de cigarros consumidos (consumo diário e tempo de tabagismo). É possível encontrar centenas de agentes cancerígenos na fumaça do cigarro, de forma que não existe uma quantidade segura de cigarros que possam ser consumidos sem preocupação.

Conviver com fumantes, sendo o chamado “fumante passivo”, aumenta o risco de desenvolvimento de uma série de doenças, incluindo o câncer de pulmão.

A alimentação e a nutrição inadequadas são classificadas como a segunda causa de câncer que pode ser prevenida. Juntas, elas são responsáveis por até 20% dos casos de câncer nos países em desenvolvimento, como o Brasil, e por aproximadamente 35% das mortes pela doença.

Uma alimentação rica em frutas, legumes, verduras, cereais integrais, feijões e outras leguminosas, e pobre em alimentos ultra processados, como aqueles prontos para consumo ou prontos para aquecer e bebidas açucaradas, podem prevenir de 3 a 4 milhões de casos novos de câncer a cada ano no mundo.

Caso a população adote uma alimentação saudável e a prática regular de atividade física, mantendo o peso corporal adequado, aproximadamente um em cada três casos dos tipos de câncer mais comuns poderia ser evitado.

Ou seja, para cada 100 pessoas com câncer, 33 casos poderiam ser prevenidos.

O mundo parece viver uma verdadeira epidemia de obesidade e sedentarismo, e o Brasil não tem ficado para trás nesses indicadores. Um parcela significativa da sociedade brasileira (perto de 18%) já preenche os critérios de obesidade e poderá pagar um preço alto por isso.

Além das doenças cardiovasculares, a obesidade coloca o indivíduo em uma situação de risco bastante aumentado para diferentes tipos de câncer, entre eles de útero, mama, cólon, rim e esôfago. Isso significa que, apenas por estar obesos, algumas pessoas aumentam em muitas vezes as chances de desenvolver certos tipos de câncer, uma situação que pode ser revertida com o controle do peso.

Estudos mostram que o etanol, em qualquer quantidade ou tipo, pode causar o desenvolvimento de câncer de boca, faringe, laringe, esôfago, estômago, fígado, intestino (cólon e reto) e mama (pré e pós-menopausa).

O álcool tem o efeito cancerígeno sobre as células e, quando chega ao intestino, pode funcionar como solvente, facilitando a entrada de outras substâncias carcinogênicas nas células para dentro da célula.

Além disso, a combinação de álcool com tabaco aumenta a possibilidade do surgimento desse grupo de doenças.

É importante destacar que há uma evidente relação dose-resposta entre o consumo de bebidas alcoólicas e o risco de câncer. Ou seja, quanto maior a dose ingerida e o tempo de exposição, maior será o risco de desenvolver os tipos de cânceres já citados.

A precocidade do início da vida sexual, bem como a variedade de parceiros, tanto da mulher quanto de seu companheiro, estão relacionados ao maior risco de câncer do colo do útero, o que sugere que os hábitos sexuais contribuem para a propagação de agentes sexualmente transmissíveis capazes de induzir o câncer.

Alguns vírus que podem ser transmitidos em contatos íntimos ou em relações sexuais estão sabidamente relacionados a um maior risco de câncer. Nesse contexto, vale destacar o vírus da imunodeficiência humana adquirida (HIV), o vírus da hepatite B, o vírus da hepatite C, o vírus Epstein-Bar e o vírus do papiloma humano (HPV).

Enquanto já temos vacinas contra o vírus da hepatite B e HPV, para as demais infecções ainda não dispomos de defesa eficaz. Por isso, seguir a recomendação de utilizar preservativos nas relações sexuais é muito importante.

Quando nos expomos nos horários corretos e por tempo limitado, o sol nos faz bem. Mas a exposição solar excessiva é o principal fator de risco para o câncer de pele.

No Brasil, o câncer de pele não melanoma é o tumor mais frequente em ambos os sexos.

As pessoas que se expõem ao sol de forma prolongada e frequente constituem o grupo com maior risco de contrair câncer de pele, principalmente aqueles que possuem pele, cabelo e olhos claros.

Habitualmente, crianças se expõem anualmente ao sol três vezes mais que adultos. Pesquisas indicam que a infância é uma fase particularmente vulnerável aos efeitos nocivos do sol e a exposição cumulativa e excessiva durante os primeiros 10 a 20 anos de vida aumenta muito o risco de câncer de pele na fase adulta ou velhice.

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