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HPV, vacinação e câncer de colo de útero

02/01/2018 Por: Instituto Mário Penna Categoria: Saúde e Câncer

Em 1997, o pesquisador alemão Harald Zur Hausen, ganhador do prêmio Nobel de medicina em 2008, conseguiu demonstrar que a infecção pelo HPV (Papiloma Vírus Humano) é o maior agente causador do câncer de colo uterino. Desde então, tem sido aceito que a infecção pelo vírus é uma condição necessária, embora não suficiente, para o desenvolvimento do câncer. Atualmente, se conhece mais de 200 tipos diferentes de vírus e cerca de 45 deles infectam o epitélio do trato anogenital de homens e mulheres. Obviamente, nem todos os tipos de HPV são relacionados ao mesmo risco de câncer e esse é o motivo de serem classificados em baixo e alto risco oncogênico. Cerca de 70% dos cânceres de colo uterino são exclusivamente causados pelos tipos 16 e 18 (alto risco oncogênico). Por essa razão, programas de vacinação contra o HPV têm sido implementados em vários países.

Infecção pelo HPV

A infecção pelo HPV é a doença sexualmente transmissível mais frequente em todo o mundo, estimando-se que entre 50% a 80% das pessoas sexualmente ativas serão infectadas pelo vírus em algum momento de suas vidas. A maioria delas, entretanto, ficará livre do vírus através da ação do sistema imunológico. O período de incubação pode variar de poucos dias a vários anos e o fator de risco mais importante para a infecção virótica é o elevado número de parceiros sexuais. Dentre os fatores que, associados à infecção pelo HPV, contribuem para o aparecimento do câncer, o tabagismo é considerado um dos mais importantes, devido à imunossupressão genital, que leva à infecção persistente pelo vírus.


Vacina contra HPV

A partir da identificação do agente causador do HPV e dos mecanismos imunológicos envolvidos na sua evolução, foi possível a criação da vacina contra a doença, objetivando a prevenção primária do câncer de colo uterino. Praticada em outros países há mais de uma década, a imunização tem demonstrado resultados bastante positivos, se traduzindo em acentuado declínio na incidência de verrugas genitais e de lesões precursoras do câncer. A eficácia é maior em homens e mulheres que ainda não entraram em contato com o vírus. A vacina é recomendada, em bula, para uso em meninos e homens de 9 a 26 anos de idade e em meninas e mulheres de 9 a 45 anos, e é encontrada em clínicas de vacinação.

O Brasil adotou a vacina quadrivalente recombinante contra HPV 6, 11, 16 e 18 (Gardasil), pelo programa público de imunização, e todos os meninos de 11 a 13 anos de idade e meninas de 9 a 14 anos podem se vacinar nos postos de saúde, através do Sistema Único de Saúde (SUS). Homens e mulheres de 9 a 26 anos com HIV/AIDS, transplantados de órgãos sólidos, medula ou pacientes oncológicos também devem se vacinar. Em dezembro de 2017, foi aprovado pela ANVISA o uso da vacina nonavalente para a proteção contra mais cinco tipos de HPV, além dos quatro já contidos na vacina quadrivalente.

A importância da prevenção

É importante ressaltar que a vacina contra o HPV é um valiosíssimo passo na prevenção do câncer de colo de útero no Brasil e no mundo, mas a prevenção secundária, através do rastreamento das lesões pelo exame de Papanicolau (colpocitologia oncótica) deve continuar, seguindo as recomendações da Organização Mundial de Saúde e do Ministério da Saúde. Esse rastreamento sofrerá, com certeza, modificações para se adaptar à era das vacinas e diferentes estratégias serão necessárias para populações vacinadas e não vacinadas.

Por Dra. Iracema Maria Ribeiro da Fonseca
Médica ginecologista do Serviço de Ginecologia Oncológica do Instituto Mário Penna desde 1994.

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