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Conheça os fatores, sintomas e curiosidades do Câncer de Ovário.

07/05/2018 Por: Instituto Mário Penna Categoria: Mitos e Verdades



Quando o assunto é tumor ginecológico poucas pessoas se lembram do câncer de ovário. Isso porque ele não causa sintomas quando ainda está em estágios iniciais e não há um exame específico capaz de detectá-lo com precisão. Por conta desses fatores, o câncer de ovário é o tumor ginecológico mais difícil de ser diagnosticado e o mais letal.

É diagnosticado em 75% dos casos em estádios avançados quando a chance de sobrevida em 5 anos é de apenas 25%.  No Brasil, a previsão para 2018 é de 6.150 novos casos de câncer de ovário. O número de mortes por esse tumor em 2013 no nosso país foi de 3.283 casos. É estimado que uma em cada 70 mulheres americanas desenvolverá câncer de ovário em sua vida. No mundo, cerca de 250.000 mulheres são diagnosticadas com câncer de ovário ao ano. A incidência é maior em países desenvolvidos e aumenta com a idade.

Como diagnosticar o Câncer de Ovário.

O que fazer, então, se é tão difícil detectá-lo? É fundamental que a mulher conheça o próprio corpo e aprenda a identificar sinais e sintomas que a princípio possam passar despercebidos. A maioria das mulheres com câncer de ovário não apresenta sintomas até a doença atingir estágios avançados. Se a mulher começa a apresentar sintomas que nunca teve, como aumento do volume na região abdominal, prisão de ventre, sangramento vaginal, dor lombar e alterações no hábito intestinal, é importante que ela procure um médico.

O diagnóstico é feito pelo exame anátomo patológico do tumor. Quando há suspeita de tumor de ovário pelos sintomas da paciente, são solicitados exames de imagem e marcadores tumorais que poderão indicar a necessidade de abordagem cirúrgica. O mesmo acontece se houver história familiar de câncer de ovário.

Para que servem os ovários?

Os ovários são duas glândulas responsáveis pela produção dos hormônios sexuais femininos: estrogênio e progesterona. Eles têm também a função de produzir e armazenar os óvulos, que são liberados mensalmente e recolhidos pelas tubas uterinas, enquanto durar a vida reprodutiva da mulher.

A incidência do câncer de ovário está associada a fatores genéticos, hormonais e ambientais. A história familiar é o fator de risco isolado mais importante e chega a cerca de 10% dos casos. O câncer de ovário pode atingir a mulher em qualquer idade, mas é mais frequente depois dos 40 anos. Os genes BRCA1 e BRCA2, que também podem causar câncer de mama, estão amplamente correlacionados com o câncer de ovário. As portadoras do primeiro gene apresentam 45% de possibilidade de desenvolver esse tipo de câncer durante a vida. As portadoras do segundo gene têm 25%.

Há uma relação entre câncer de ovário e atividade hormonal feminina. Portanto, mulheres que não tiveram filhos nem nunca amamentaram, as que tiveram menopausa tardia ou câncer de mama, assim como as que têm parentes de primeiro grau com câncer de ovário apresentam risco mais elevado de desenvolver a doença.

E como se dá o tratamento?

Se houver suspeita de tumor de ovário, a paciente deve ser submetida a uma avaliação cirúrgica. Para câncer de ovário em estágio inicial, é preciso realizar a cirurgia e promover a remoção do útero, ovários, trompas, omento, linfonodos e, se possível, todos os demais tumores encontrados.

Na grande maioria das vezes, as pacientes devem ser submetidas à quimioterapia após a cirurgia, com exceção feita às mulheres portadoras de câncer de ovário de baixo grau em estágio inicial. Existe hoje vários regimes de quimioterapia disponíveis, como a combinação de cisplatina ou carboplatina com paclitaxel, por exemplo, que oferecem taxas de resposta clínica de até 70%.

Formas de prevenção?

Há estudos que indicam uma relação entre obesidade, alto consumo de gordura e câncer de ovário. Sendo assim, é importante controlar o peso e evitar alimentos gordurosos. Se tiver um parente de primeiro grau com história de câncer de ovário e/ou de mama é indicado fazer exames clínicos e ultrassonográficos com mais frequência.

Pode ocorrer redução do risco de 30 a 60% de desenvolver câncer ovariano se houver gravidez e parto antes dos 25 anos, uso de contraceptivos orais, amamentação, cirurgias ginecológicas como ligadura tubária e histerectomia e cirurgias de redução de risco como retirada dos ovários e das trompas em pacientes com alto risco de desenvolver esse tumor.

Por isso, respeite as datas dos retornos ao ginecologista. O prognóstico é sempre melhor, quando a doença é diagnosticada precocemente.

Telma Maria Rossi de Figueiredo Franco
Coordenadora do Serviço de Ginecologia Oncológica do Instituto Mario Penna

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