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Como amenizar os sintomas do câncer de colo de útero

22/01/2018 Por: Instituto Mário Penna Categoria: Cuidados Paliativos

Na maioria dos países em desenvolvimento, como o Brasil, cada vez mais mulheres estão sofrendo com o câncer de colo uterino. Isso se deve, principalmente, por falha no rastreamento para a detecção de tumores iniciais, no qual através de um exame simples, como o Papanicolau (preventivo), é possível diminuir a incidência e mortalidade pela doença.

Na prática de um oncologista, infelizmente, a maioria dos casos que chegam são de tumores localmente avançados (estádios IIIB e IVA), o que significa invasão dos paramétrios e/ou parede pélvica, até órgãos próximos, como a bexiga.

Neste caso, a cirurgia não é indicada, uma vez que a doença já está enraizada e, portanto, o tratamento consiste em sessões de radioterapia e quimioterapia.

Radioterapia e Quimioterapia

Radioterapia sobre a região pélvica pode gerar alguns efeitos colaterais, restritos à região irradiada, sendo mais comuns o ardor ao urinar e/ou evacuar, aumento do número de vezes que necessita urinar, cólicas intestinais, diarreia, sangramento nas fezes ou urina, ardor na região da vulva ou ânus, infertilidade e sintomas da menopausa em mulheres. Esses efeitos podem aparecer durante ou até mesmo após o término da radioterapia e, como são cumulativos, se tornam mais intensos após duas a três semanas de tratamento, sendo possível aliviá-los com medicamentos.

Já a quimioterapia é realizada com uma droga de infusão semanal de quatro horas, chamada “cisplatina”, que, em 76% dos casos, causa náuseas e vômitos, efeitos que também podem ser amenizados com medicações durante e após o tratamento. Também pode haver queda de cabelo que, na maioria dos casos, é moderada. Existe um risco de a droga lesar os rins e, por isso, é importante manter a ingestão hídrica. O grande vilão de qualquer quimioterápico é a queda das defesas do corpo, quando o paciente pode ter febre (neutropenia febril), que necessita de cuidados imediatos em unidade de emergência.

Com a associação de quimioterapia e radioterapia há um potencial de cura, mas também existe a possibilidade de a doença recidivar, mesmo com o tratamento. Seguindo o curso da doença, o local mais comum de recidiva é a pelve, com possibilidade de aumento de sobrevida com cirurgias ou técnicas de radioterapia, em casos selecionados. Contudo, quando isso não é possível ou se houver recidiva à distância, a doença torna-se incurável e o intuito do tratamento passa a ser paliativo, com foco em melhorar a qualidade de vida da paciente.

 

Paliação de sintomas

É possível paliar todos os sintomas, mas com eficácias diversas. A dor, por exemplo, pode ser paliada satisfatoriamente em 70% dos casos, seguindo a norma de usar analgésicos apropriados para cada caso, mas sempre em intervalos regulares, para evitar a recorrência da dor.

Já em caso de inchaço das pernas – muito comum nos tumores localmente avançados e nas recidivas por obstrução dos vasos linfáticos (linfedema) – é recomendável levantar as pernas ou usar uma bandagem elástica (não aplicada de forma forte) ou meia de suporte, além de cuidar da pele com banho suave e massagem com vaselina. Entretanto, se a área da pele que sobrepõe a perna inchada tornar-se avermelhada e quente, o médico deve ser imediatamente comunicado, já que podem ser sinais de infecção.

Um dos sintomas mais difíceis de paliar é a presença de fístula – um caminho entre o reto e a vagina, por onde as fezes escapam. Nenhuma droga pode parar esse vazamento de fezes causado pela fístula e, portanto, a cirurgia pode ser avaliada em casos muito selecionados. Neste caso, é importante se concentrar em tornar a mulher o mais confortável e limpa possível. Se a pele ao redor da vagina ou do ânus ficar dolorida, é necessário protegê-la, secando as áreas e aplicando creme ou vaselina.


A importância do apoio da família

É um dever de todo profissional de saúde paliar os sintomas das pacientes, mas o que realmente impacta na diminuição do sofrimento dessas mulheres é a presença da família. A proximidade com os familiares é de suma importância para que todos compreendam melhor a doença e possam contribuir com a qualidade de vida da mulher e da família como um todo.

Os filhos, por exemplo, podem ficar muito preocupados com a saúde de sua mãe, o que exigirá aconselhamento para ajudá-los a lidar com a situação.

Em relação ao parceiro da mulher, um ponto fundamental a ser conversado é sobre a sexualidade. À medida que a doença piora, a mulher provavelmente sentirá alguma dor, secreção ou sangramento vaginal, o que poderá afetar o seu emocional, a forma como ela se sente em relação ao seu corpo e até mesmo sobre ser mulher, interferindo em sua decisão de manter relações sexuais. Conversar com o casal poderá ajudá-los a compreender o que está acontecendo, para que possam decidir sobre o que for melhor para eles.

O mais importante mesmo é estar junto com a família. Muitos sofrimentos poderiam ser amenizados se uma mãe pudesse estar perto dos seus filhos, ao invés de se tratar em uma outra cidade, por exemplo. Um bom conselho: converse com um oncologista para saber o que realmente irá impactar no tempo e na qualidade de vida da paciente.

Não deixe que o câncer de colo de útero te impeça de ser uma mulher como outra qualquer: isso se chama dignidade e não há doença alguma que possa tirar isso de você!

Por:

Dr. Marcos André Marques Portella
Médico Oncologista do Instituto Mário Penna.

Dr.  Leonardo Antônio Gontijo Chamon
Médico Radioterapeuta do Instituto Mário Penna.

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