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Atuação fonoaudiológica em pacientes com câncer de cabeça e pescoço.

09/07/2018 Por: Instituto Mário Penna Categoria:



De acordo com a OMS (2002), Cuidado Paliativo é uma assistência promovida por uma equipe multiprofissional que objetiva a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, da identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais.

A atuação em Cuidados Paliativos deve ser individualizada, baseada num plano de cuidados interdisciplinar, a fim de ajudar o paciente a se adaptar às mudanças impostas pela doença e seus tratamentos.

 O aumento da sobrevida somado às sequelas impostas pelos tratamentos, sobretudo do Câncer de Cabeça e Pescoço, provoca uma interferência direta na realização de funções básicas como alimentação e comunicação, impactando negativamente na qualidade de vida dos indivíduos.

 A função de deglutição pode estar alterada em grande parte dos pacientes com Câncer de Cabeça e Pescoço em Cuidados Paliativos, sendo a disfagia um sintoma que limita a ingestão de alimentos e pode levar a complicações como desnutrição, desidratação e alterações respiratórias. Além disso, a dificuldade para engolir modifica a relação do indivíduo com a alimentação, podendo provocar inapetência, aumento do tempo de refeição, redução quantitativa e qualitativa da ingestão de alimentos, medo de engasgar, perda do prazer de comer e até restrição social. Nesses pacientes, a comunicação pode estar alterada devido ao rebaixamento do nível de consciência, efeitos colaterais de medicações, alteração de mobilidade e tônus da musculatura orofacial, déficit de memória, nível de atenção reduzido, imprecisão fonoarticulatória, dentre outros, o que pode dificultar a expressão de suas necessidades e a relação paciente-profissional-família.

A função terapêutica do Fonoaudiólogo em Cuidados Paliativos deve ir além do treino específico para correção de distúrbios, criando-se um ambiente favorável à aplicação de métodos clínicos singulares que auxiliem o doente e a família a atingir e manter os máximos potenciais físico, psicológico, social e espiritual, sabendo-se das limitações impostas pela progressão da doença, contribuindo para a manutenção das funções de alimentação e comunicação e, consequentemente, da sua qualidade de vida.

O objetivo geral da Fonoaudiologia em Cuidados Paliativos é aliviar os sintomas, aumentar o conforto da deglutição, proporcionando satisfação, prazer e segurança na dinâmica da alimentação, reduzindo, assim, o sofrimento do paciente e de seus familiares. Além disso, cabe ao Fonoaudiólogo buscar alternativas que favoreçam a comunicação, respeitando a autonomia do paciente, dentro do processo de terminalidade, garantindo a expressão dos sentimentos e desejos e tentando suprir aflições, sensação de impotência e angústia dos familiares e do doente.

Objetivos Específicos da Assistência Fonoaudiológica em Cuidados Paliativos

Do ponto de vista da alimentação:

1 – Definir, juntamente com a equipe, os objetivos e propostas de alimentação , elegendo a via de alimentação mais adequada, a fim de garantir conforto, segurança e satisfação ao paciente;
2 – Para os pacientes que se alimentam por via oral: adaptar posturas, eleger estratégias de alimentação (fracionamento da dieta, velocidade de oferta, uso de utensílios etc.) e manobras facilitadoras da deglutição;
3 – Manejar as alterações na salivação: Xerostomia (sensação de boca seca) e sialoestase (acúmulo de saliva na cavidade bucal);
4 – Orientar manutenção da higiene oral.

 Do ponto de vista da Comunicação:

1- Triar o nível de compreensão e de expressão do paciente;
2- Promover a readaptação da linguagem através de pranchas de comunicação alternativa, uso de recursos tecnológicos, uso de figuras e imagens etc;
3- Estabelecer uma comunicação não verbal efetiva por meio de gestos ou manifestações corporais.

A abordagem dos profissionais da equipe interdisciplinar em Cuidados Paliativos deve ser humanista e integrada, pautadas em princípios éticos e humanizados, contemplando os pacientes sem possibilidade de cura, a fim de minimizar os sintomas da doença e melhorar a sua qualidade de vida, cujo conceito é subjetivo e pessoal.

Flávia Fiorini,
Fonoaudióloga do Instituto Mário Penna.

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